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CIC-BG estuda detalhes sobre perfis de infectados pelo Covid-19 na Serra

CIC-BG estuda detalhes sobre perfis de infectados pelo Covid-19 na Serra

Diretora da entidade levantou dados mostrando que 91% das vítimas tinham comorbidades habituais ou outras comorbidades

Nos primeiros seis meses da pandemia da covid-19 na Serra, a região contabilizou 399 óbitos, dos quais 77% – ou 306 vítimas – tinham algum tipo de comorbidade habitual, sendo o maior caso (50%) de cardiopatias.Os números fazem parte de um estudo da Associação dos Municípios da Encosta Superior Nordeste (Amesne) elaborado por MarijanePaese, 1º vice-presidente para Assuntos de Comércio do Centro da Indústria, Comércio e Serviços de Bento Gonçalves (CIC-BG). Para a pesquisa, apresentada na última sexta-feira numa reunião entre prefeitos e Ministério Público, ela contou com dados do Sistema de Informação de Vigilância Epidemiológica colhidos entre 14 de março e 19 de setembro.

Um dos objetivos foi determinar os perfis das pessoas que morreram em decorrência da pandemia na Serra. Mas, além disso, o estudo quis alertar para as vidas que poderiam ter sido salvas. “Há um elevado percentual de óbitos, de 34% foram hospitalizados somente a partir do quinto dia de sintomas. Isso quer dizer que não se pode esperar o agravamento da doença para procurar ajuda médica. A informação levada à população de forma correta pode salvar vidas”, analisa Marijane, formada em Matemática e Física e com mestrado em Estatística.
Depois das cardiopatias, as comorbidades habituais mais associadas a óbitos são diabetes (39%), doenças neurológicas (22%), obesidade (17%), doenças renais (12%), imunodeficiência (8%) e asma (5%). Dos 97 casos de óbitos não relacionados a comorbidades habituais, 57 estavam ligados a outras comorbidades. Apenas 36 mortes, ou 9% do total, não tinham quaisquer relações com outras doenças.
No estudo, Marijane mostrou que, do total de óbitos, 183 (46%) eram do sexo masculino e tinham mais de 60 anos – uma incidência de 15 mortos para cada 100 mil habitantes. Neste perfil de público, 80% das vítimas tinham comorbidades como cardiopatias e diabetes, principalmente. Os principais sintomas apresentados foram a falta de ar e a saturação de oxigênio em 95% (81%), fazendo com que 67% necessitassem ser internados na UTI – desses, 91% precisaram suporte ventilatório. Somente 13 vítimas não possuíam nenhuma comorbidade, ou seja, a letalidade deste perfil foi de 0,0011%.
Entre as mulheres, 84% das 173 vítimas fatais tinham mais de 60 anos – uma incidência de 12 mortos para cada 100.000 habitantes, e 77% delas apresentavam comorbidades habituais – apenas 11 das mortes não tinham relação com comorbidades. O principal sintoma delas foi a saturação de oxigênio em 95% (78%), e 59% das mulheres precisaram ser internadas na UTI – dessas, 92% necessitaram de suporte ventilatório. 
Fora do grupo de risco, houve 56 mortes de pessoas entre 40 anos e 59 anos, sendo 63% de homens e 37% de mulheres, e 15 mortes de pacientes com menos de 39 anos, dos quais 53% eram homens e 47% eram mulheres. No primeiro caso (40 a 59 anos), 61% dos óbitos estavam relacionados a comorbidades habituais, índice que chegou a (87%) 84% no segundo caso(até 39 anos).