Hub de Inovação Regional da Serra Gaúcha, que une InovaBento e UCS Bento, já impactou estudantes de oito municípios e prevê novas ações de formação e empreendedorismo em 2027 A realização do fórum de inovação no Centro da Indústria, Comércio e Serviços de Bento Gonçalves (CIC-BG) neste mês marcou um dos principais momentos do […]
Hub de Inovação Regional da Serra Gaúcha, que une InovaBento e UCS Bento, já impactou estudantes de oito municípios e prevê novas ações de formação e empreendedorismo em 2027
A realização do fórum de inovação no Centro da Indústria, Comércio e Serviços de Bento Gonçalves (CIC-BG) neste mês marcou um dos principais momentos do primeiro ano de trabalho do Hub de Inovação Regional da Serra Gaúcha, projeto para acelerar a cultura digital e empreendedora entre estudantes do ensino médio de oito municípios da Serra. Idealizada pelo InovaBento e executada pela UCS Bento, a proposta também está prestes a completar as 16 oficinas previstas nesta primeira etapa do projeto, que ainda reserva novas atividades ao longo do próximo ano.
Todo o trabalho, desempenhado nas cidades de Bento Gonçalves, Garibaldi, Carlos Barbosa, Farroupilha, Flores da Cunha, Guaporé, Veranópolis e Nova Prata, está sendo desenvolvido com recursos de R$ 432.142,86, viabilizados por meio da Consulta Popular de 2023, mais a contrapartida da universidade da ordem de R$ 109.664,40. Parte da verba, portanto, já foi empregada em bolsas, nos deslocamentos para as atividades nas escolas e na execução do Fórum de Inovação. Outra parcela servirá para a etapa final do projeto. “No ano que vem, seguiremos com a formação dos professores e mentores regionais e a execução do Programa Inova Mais Negócios”, comenta o diretor da TecnoUCS, Fábio Verruck.
Ao longo de dois dias, em 6 e 7 de outubro, o fórum reuniu cerca de 450 participantes, num encontro gratuito que discutiu o tema “Do conhecimento à transformação”, combinando palestras, painéis, ‘cases’, um hackathon e visitas técnicas a indústrias locais. Na oportunidade, foram abordados os temas inovação, sucessão familiar e tendências de mercado com especialistas da Fapergs, do Badesul e representantes de empresas da região, além de pautas sobre o futuro dos negócios, inteligência artificial aplicada às empresas e às organizações que a utilizam no dia a dia, bem como uma apresentação sobre os próximos passos da economia digital. “Foi uma grande oportunidade para promover encontros e compartilhar conhecimento, aproximando empresas, poder público, instituições de ensino e entidades. Com isso, buscamos estimular a cooperação e a construção de soluções para desafios comuns, tornando a inovação cada vez mais presente na realidade dos nossos negócios”, classifica o presidente do InovaBento, Vicente Tomasi.
Formação que transforma ideias em oportunidades
Um dos grandes méritos do projeto também está em sua visão de futuro, uma vez que prepara a nova geração de profissionais que está chegando ao mercado para uma realidade digital e empreendedora. Desde o início, em maio deste ano, mais de 360 alunos foram impactados pelas oficinas, organizadas pelas bolsistas Bianca Carteri e Beatriz Somacal, que também auxiliaram na organização do fórum. Elas são responsáveis por facilitar as metodologias e apresentações, nos oito municípios envolvidos, das aulas em Criatividade e Empreendedorismo e em Modelagem de Negócios. O trabalho será concluído em novembro, com oficinas em Farroupilha, Guaporé e Garibaldi. “O projeto funciona como um direcionador e esclarecedor para o futuro profissional dos jovens. Por meio das oficinas, eles aprendem a estruturar e a tirar ideias do papel. Mais do que criar novos negócios, eles entendem como funciona o intraempreendedorismo na prática, aprendendo a analisar problemas e propor soluções inovadoras e, indiretamente, contribuindo para se destacarem no mercado de trabalho”, opina Beatriz, mestranda em Gestão e Planejamento de Cidades Sustentáveis na UCS, em Caxias do Sul. Para Bianca, o projeto tem o potencial de ampliar o repertório de futuro desses jovens. “Plantamos ideias, mostramos que é uma carreira possível, gerando impacto para a sociedade em diversas frentes, da econômica à social e à ambiental. Talvez o fruto mais imediato desse projeto seja o de desenvolver neles o comportamento empreendedor, a comunicação, a criatividade, a resolução de problemas, o protagonismo, entre outras habilidades que para o mercado de trabalho por si só já têm alto valor”, observa a doutoranda em Administração na linha de pesquisa em Inovação e Competitividade na UCS.
Bianca e Beatriz serão responsáveis, ainda, pela capacitação de professores e mentores na região, com oito oficinas direcionadas a cada um desses públicos, a fim de atuarem como replicadores e consultores de novos negócios. “Será um espaço aberto para que todos sintam que podem fazer parte dessa transformação. Ao integrar a universidade, escolas, mentores e cidadãos, o projeto permite que a comunidade participe ativamente e contribua para a construção de uma região cada vez mais aberta, colaborativa e inovadora”, avalia Beatriz. Além disso, como destaca Bianca, elas estarão envolvidas na entrega de um livro ao final do projeto. “Será uma obra sobre metodologia para ativação de ecossistemas”, conta.
Outra entrega do projeto em 2027 será o Inova Mais Negócios, baseado no programa StartUCS e validado no mercado, uma proposta completa de ideação e modelagem de novos negócios, transformando problemas em soluções inovadoras e projetos em empresas. Ao longo de 10 encontros semanais, os alunos serão guiados desde a formulação de um problema, passando pela validação da solução e do modelo de negócio, até a apresentação final em um “pitch day”.
De acordo com a pró-reitora de Inovação e Desenvolvimento Tecnológico da UCS, Neide Pessin, a participação da universidade no projeto materializa a essência da instituição ao ser a ponte entre a produção do conhecimento científico, a formação de talentos e as transformações reais da sociedade. “Quando recebemos essa missão do InovaBento e a aprovação da Secretaria de Inovação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul para atuar como executora do Hub de Inovação Regional, seguimos com a convicção de quem entende que a universidade não pode estar distante dos territórios em que atua. Neste projeto, atuamos como elo entre academia, empresas, poder público e escolas, contribuindo para que a inovação deixe de ser privilégio de grandes centros e se torne um movimento regional, capilarizado, com raízes em cada município. É assim que se constrói desenvolvimento que permanece: com base científica, com gente formada e com um ecossistema conectado. Há um segundo mérito que considero igualmente relevante: o projeto transforma a inovação em algo acessível e cotidiano”, pondera.
Nesse movimento de integração, o Bento+20 é uma das entidades que também ajudam a fortalecer o ecossistema de inovação da Serra, sendo essencial para a proposta hoje em curso. Foi a entidade que propôs o projeto do Hub de Inovação Regional na Consulta Popular 2023, que acabou sendo o mais votado naquela edição na região. “Muitas pessoas associam a inovação somente à tecnologia, e a inovação é muito maior que isso. Para que tenhamos um impacto efetivo da inovação na sociedade e nos jovens, entendemos que o trabalho deve ser iniciado ainda com os alunos do ensino fundamental e médio. Inspiramo-nos, inclusive, no case de sucesso das escolas municipais de tempo integral aqui de Bento Gonçalves, que apresentam resultados avançados ao provocar os estudantes a trabalhar com inovação. Afinal, com essa nova formatação de sociedade que se apresenta, a inovação serve também para construir o pensamento crítico no jovem, algo que está sendo perdido ao longo do tempo, mas que é fundamental para que tenhamos uma geração crítica e criativa”, diz o diretor executivo do Bento+20, Gabriel Stella.
Para o presidente do InovaBento, Vicente Tomasi, o balanço do primeiro ano confirma a aposta feita lá atrás, quando o projeto ainda era uma proposta na Consulta Popular. “O Hub nasceu da convicção de que uma região só se mantém competitiva se preparar quem vai conduzir o seu futuro. Ver estudantes de oito municípios aprendendo a enxergar problemas como oportunidades, com o apoio da universidade, das escolas, das entidades e da comunidade, mostra que estamos no caminho certo. O que estamos construindo agora não termina com as oficinas ou com o Inova Mais Negócios. É uma semente de cultura empreendedora que deve seguir dando frutos na Serra por muitos anos”, projeta.