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Competitividade na era da IA depende de dados e governança, mostram palestrantes no CIC-BG

Competitividade na era da IA depende de dados e governança, mostram palestrantes no CIC-BG

Evento reuniu especialistas para discutir como empresas podem aproveitar o potencial da inteligência artificial sem ignorar riscos operacionais e jurídicos

 

A inteligência artificial já faz parte da rotina das empresas, mas a adoção das novas tecnologias exige muito mais do que simplesmente utilizar ferramentas generativas, mostraram os palestrantes do Café com Conhecimento desta terça-feira, promovido pelo Centro da Indústria, Comércio e Serviços de Bento Gonçalves, que trouxe luz sobre os impactos da IA e da governança de dados no ambiente corporativo. "São assuntos que estão batendo às nossas portas no dia a dia e exigem de nós o compromisso de trazer informações e novidades para preparar as empresas a esses desafios e oportunidades", disse o presidente do CIC-BG, Daniel Panizzi.

Realizado em parceria com a Dupont Spiller Fadanelli Advogados, o encontro contou com a participação da advogada Bárbara Ravanello, sócia e gestora da área de Direito Digital do escritório, e do professor Pedro Bochese, doutor e pós-doutor com pesquisas em inteligência artificial e algoritmos de busca. Para Bochese, o diferencial competitivo das organizações está na capacidade de utilizar dados de forma estratégica. "Poucas empresas hoje se consideram empresas orientadas a dados", observou. Segundo ele, a qualidade das informações é fundamental para que a inteligência artificial gere resultados efetivos.

O especialista também destacou a evolução da hiperpersonalização nas relações com clientes e colaboradores. "Se você não sabe mais do colaborador e mais do cliente do que ele mesmo, você está fora do mercado", afirmou. Ao abordar o ambiente corporativo, Bochese defendeu que a inovação esteja associada à revisão de processos e à melhoria das experiências das pessoas. "Precisamos inovar, precisamos enriquecer as experiências dos colaboradores, reinventar o relacionamento com os clientes e remodelar os processos", disse.

Outro tema central foi a segurança da informação. Com a popularização das ferramentas de IA generativa, o professor alertou para riscos relacionados ao compartilhamento inadequado de dados. "O principal problema que as empresas têm enfrentado é o vazamento acidental ou intencional de dados sensíveis", ressaltou. Segundo ele, as organizações precisam avançar na governança de dados e utilizar informações não apenas para analisar o passado, mas para apoiar decisões futuras. "Vocês têm que ultrapassar a barreira do que aconteceu e do porquê aconteceu para o que irá acontecer", afirmou.

O encontro também trouxe uma visão sobre os aspectos jurídicos e os riscos associados ao uso da inteligência artificial. Entre os exemplos citados, esteve o caso da Samsung, que teve informações estratégicas expostas após o uso inadequado de ferramentas de IA. "É uma grande empresa que caiu diante da IA. Isso também pode acontecer com a gente, especialmente quando não existe controle", alertou Bárbara.

A advogada destacou que, mesmo sem uma legislação específica em vigor no Brasil, empresas já precisam observar normas existentes relacionadas à proteção de dados, direitos autorais e segurança da informação. Também chamou atenção para novas formas de manipulação de sistemas baseados em IA, como comandos ocultos inseridos em documentos para influenciar respostas geradas pelas ferramentas.

Ao falar sobre implementação, Bárbara reforçou a importância do planejamento e da definição de objetivos claros. "A empresa que quiser trabalhar bem e ter retorno financeiro com inteligência artificial precisa ter uma estratégia para isso. Tem que saber para que utilizar a IA", afirmou. Entre as recomendações apresentadas estão a criação de políticas internas de uso, a definição de responsáveis pelos projetos de IA, o mapeamento das ferramentas utilizadas e a capacitação permanente dos colaboradores.