Comunidade e propósito são apontados como pilares para uma longevidade saudável
Encontro no CIC-BG teve exibição do documentário "Conversas nas Zonas Azuis" e palestra do geriatra Emilio Moriguchi, referência internacional na área
A longevidade vai além da genética ou dos cuidados médicos. Os ensinamentos extraídos do encontro com o médico geriatra Emilio Hideyuki Moriguchi, um dos maiores pesquisadores brasileiros sobre envelhecimento saudável, na sexta-feira (17), mostram que laços comunitários, convívio com familiares e amigos, propósito de vida e participação ativa na sociedade são fatores tão importantes quanto alimentação equilibrada e atividade física para viver mais e melhor. O evento realizado no Centro da Indústria, Comércio e Serviços (CIC-BG), promovido pela entidade, pelo Bento+20 e pelo Hospital Tacchini, reuniu grande público para a exibição do documentário "Conversas nas Zonas Azuis - Veranópolis e as Blue Zones", seguida de um bate-papo com Moriguchi, idealizador da obra.
O documentário apresenta histórias de pessoas que envelhecem com autonomia e qualidade de vida em diferentes regiões reconhecidas pela alta concentração de longevos – as chamadas Blue Zones. Junto com esses lugares – Sardenha (Itália), Loma Linda (EUA), Península de Nicoya (Costa Rica), Icária (Grécia) e Okinawa (Japão) – também figura Veranópolis, cidade que há décadas é objeto de estudos coordenados por Moriguchi, que mantém um instituto dedicado ao estudo do envelhecimento na chamada "Terra da Longevidade".
O médico destacou que, ao longo das mais de três décadas de pesquisas, os resultados mostraram que felicidade e longevidade são construções coletivas. "Provavelmente, o que estamos fazendo aqui hoje é uma das ações mais importantes para viver bastante, bem e ser feliz: estar fraternamente juntos, entre amigos. A longevidade e a felicidade são conceitos coletivos. Ninguém fica feliz sozinho, ninguém vive muito sendo sozinho. Precisamos aprender com as pessoas que envelheceram bem e construir comunidades onde as pessoas se sintam pertencentes", afirmou. Segundo Moriguchi, embora alimentação saudável e atividade física sejam fundamentais, a convivência social é um componente indispensável para um envelhecimento saudável. "O grande segredo da longevidade é estar junto. A solidão adoece. Precisamos fortalecer os vínculos, criar espaços de convivência e incentivar as pessoas a participarem da vida da comunidade", destacou.
O geriatra lembrou que o conhecimento apresentado no documentário não surgiu apenas em laboratórios, mas principalmente da convivência com idosos ao longo de décadas de pesquisa. "Tudo o que foi mostrado eu aprendi com os idosos. O documentário resume, em 90 minutos, mais de 30 anos ouvindo pessoas que envelheceram com qualidade de vida. O que elas nos ensinam é que felicidade, propósito e relacionamento humano são tão importantes quanto qualquer tratamento". Durante o bate-papo, Moriguchi também defendeu que iniciativas locais podem transformar cidades inteiras em ambientes mais saudáveis para envelhecer. Para ele, Bento Gonçalves reúne características favoráveis para se tornar uma referência nacional nesse movimento. "Não é preciso morar em uma Blue Zone para viver mais. Pode ser aqui. Bento Gonçalves tem o tamanho ideal para desenvolver projetos comunitários capazes de servir de exemplo para o Brasil. O importante é criar oportunidades para que as pessoas convivam, participem e construam uma comunidade mais forte".
Para o CEO do Hospital Tacchini, Hilton Roese Mancio, a participação da instituição no Bento+20 está diretamente ligada ao propósito de construir uma cidade mais saudável nas próximas décadas. "Quando começamos a discutir como seria Bento Gonçalves daqui a 20 anos, percebemos que os problemas do cotidiano precisam ser resolvidos agora, mas que o futuro depende de uma transformação dos hábitos de vida. A maior parte das doenças está relacionada ao estilo de vida, e não à genética. Por isso faz tanto sentido trazer esses conceitos para nossa região. Queremos ser um catalisador desse processo, ajudando as pessoas a viver mais e viver melhor", comentou Mancio. O presidente do CIC-BG, Daniel Panizzi, ressaltou que discutir longevidade também significa pensar no desenvolvimento econômico e social do município. "Quando olhamos para as regiões reconhecidas pela longevidade, percebemos que o resultado não é apenas uma população que vive mais, mas comunidades mais fortes, com melhor qualidade de vida e desenvolvimento social. Para uma entidade empresarial, esse também é um tema estratégico. Fortalecer a saúde e o bem-estar da população é contribuir para uma sociedade mais próspera e preparada para o futuro", disse.
