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Economia deve crescer neste ano, mas em ritmo menor ao de 2021

Economia deve crescer neste ano, mas em ritmo menor ao de 2021

Expectativa moderada marca projeção de especialistas ouvidos pelo CIC-BG

 

São vários os desafios para a economia brasileira voltar a apresentar índices satisfatórios de crescimento em 2022. Embora diagnósticos como o do Fundo Monetário Internacional (FMI) indiquem um PIB de apenas 0,3% para o Brasil neste ano, ainda há otimismo quanto ao futuro econômico brasileiro. A despeito dos desafios da inflação, que elevou a alta de preços média no Brasil em 10,06% no ano passado, forçando o Banco Central a elevar a taxa básica de juros, a Selic (10,75%), e de uma eleição presidencial pela frente, alguns economistas apontam boas perspectivas para a indústria.

André Nunes, economista-chefe da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs), é um deles. Para ele, mesmo diante desse quadro, deve haver um aumento na demanda, tanta interna quanto externamente. “A intenção de investir é maior do que em anos anteriores. Por isso, estamos confiantes em mais um ano de crescimento, mas o ritmo de avanço será menor do que no ano passado”, prevê.

Em 2021, o Estado encerrou o ano com produção 2,8% maior do que a de 2019. “Ou seja, o período da pandemia foi superado”, diz. Ele reconhece, no entanto, que o quadro a longo prazo ainda é preocupante para o setor. “Mesmo com um resultado bastante positivo, a produção gaúcha ainda se encontra 8,6% abaixo do pico atingido no ano de 2013”, aponta.

A boa expectativa para 2022 também é compartilhada pela Federação de Entidades Empresariais do Rio Grande do Sul (Federasul). A equipe econômica da organização projeta um ano de otimismo moderado. “Apostamos no crescimento econômico num cenário em que as privatizações, concessões, reformas estruturais, segurança jurídica e abertura econômica se viabilizem. Mas os gargalos de infraestrutura, o não avanço das reformas, o período eleitoral, as taxas de juros e inflação internacionais e a escassez e a falta de mão de obra qualificada são fatores que vão limitar o crescimento”, aponta a equipe da Federasul, em manifesto ao Centro da Indústria, Comércio e Serviços de Bento Gonçalves (CIC-BG).

Ao contrário do FMI, a Federasul estima que o PIB brasileiro feche em 2022 com alta de 1,13%. Para o Estado, a projeção do PIB é de 2,04% de crescimento. Ainda, a divisão de economia da Federasul prevê um IPCA de 5% em 2022, com a meta Selic de 11,50% e o câmbio com o dólar valendo R$ 5,50 em relação ao real.

No município, a expectativa é de que os indicadores de incerteza da economia comecem a demonstrar estabilidade. Ainda que a pandemia e o cenário político possam impedir indicadores econômicos a níveis pré-pandêmicos, a secretária de Finanças, Elisiane Schenatto, aposta na capacidade empreendedora da cidade para movimentar a economia. “Temos um ano inteiro pela frente para fazer com que o cenário vá se modificando gradativamente para melhor. Quanto às projeções de receita e despesa, consideramos a base o ano de 2021 para ter uma margem de segurança, contando com a melhora, mesmo que em níveis tímidos”, aponta Elisiane.

Para a presidente do CIC-BG, Marijane Paese, embora as eleições possam trazer incertezas, como a postergação de investimentos, o avanço no controle da pandemia representa uma garantia para a retomada. “Estamos cientes das dificuldades, mas com o cenário se aproximando da normalidade estamos cada vez mais caminhando para uma estabilidade, o que é muito importante para a dinâmica econômica”, diz Marijane. Nesse sentido, ela também destaca o potencial de Bento Gonçalves para aumentar o desenvolvimento econômico. “Precisamos impulsionar cada vez mais a economia local com “pautas" que tornem nossas empresas cada vez mais competitivas. Nossa região tem raízes no empreendedorismo, e agregando o trabalho com a inovação conquistaremos nosso diferencial. Nosso planejamento anual no CIC contempla projetos que possam auxiliar as empresas a avançar cada vez mais”, comenta.