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Fórum da AL traz desafios e oportunidades pós-pandemia

Fórum da AL traz desafios e oportunidades pós-pandemia

Na 11ª edição, CIC-BG ressaltou eventos do segundo semestre para fomentar economia e Sebrae apresentou dados de atendimento

           

Com foco na competitividade, o Fórum de Combate ao Colapso Social e Econômico, da Assembleia Legislativa, tem debatido ao longo dos últimos 60 dias alternativas de enfrentamento aos reflexos do coronavírus nos setores produtivos.

Em meio à apresentação de um estudo do Transforma RS sobre oportunidades pós-pandemia e dos números de atendimento do Sebrae, o presidente da AL, Ernani Polo, disse que o cenário tende a se agravar na economia e, por isso, é preciso agir. "A competitividade será determinante para a retomada dos setores produtivos", contou o deputado.

Rogério Capoani, presidente do Centro da Indústria, Comércio e Serviços de Bento Gonçalves (CIC-BG), uma das 13 entidades e órgãos presentes na reunião, destacou as ações da cidade para garantir a realização de eventos no segundo semestre, como a Movelsul, a ExpoBento e a Fenavinho. "Nós, com muita coragem e entendimento, atuamos desde o início na conscientização em saúde e em medidas de prevenção no enfrentamento da crise. Agora, estamos em um processo de retomada econômica, em que trabalhamos em conjunto com a prefeitura e confirmamos a realização dos grandes eventos aqui em Bento Gonçalves para reaquecermos com segurança nossa economia. Temos, sim, esta responsabilidade, de manter com coragem nossos eventos", afirmou Capoani.

Um dos principais momentos do 11º encontro, segunda-feira (8), foi a apresentação do Radar de Percepções, uma pesquisa desenvolvida pelo Transforma RS com mais 100 lideranças e especialistas de diversos segmentos para colher ideias sobre os cenários pós-pandemia.

O levantamento, realizado entre os dias 11 e 25 de maio, apresenta percepções para a criação de um ambiente pró-competividade, a partir do ponto de vista em cinco eixos – poder público, entidades empresariais, competitividade, incentivo à economia e oportunidades.

A maioria das respostas partiu de empresários (44%), seguido pela sociedade (30%), poder público (19%) e setor de ensino (7%). Na questão sobre o que esperar do poder público, houve concentração de respostas na necessidade de reformas estruturantes, com planejamento organizado e participação da sociedade. Das entidades empresariais, percebeu-se a mobilização para retomar o desenvolvimento, com redes de colaboração e de orientação aos empresários, com consciência social.

Em relação à competitividade, as respostas trouxeram a inovação e as novas tecnologias como fundamentais, com a atuação dos parques tecnológicos, assim como o agronegócio e seus elos. Além disso, apareceram o turismo com viés cada vez mais regional e a digitalização dos negócios – fator de salvamento de muitos empreendimentos.

A pesquisa ainda destacou, no item incentivo à economia, a compra de produtos locais, para evitar demissões e buscar redes de parcerias, e, no âmbito das oportunidades, os novos negócios digitais e tecnologia (big data, inteligência artificial, etc.). Os pequenos empreendimentos se adaptaram junto com um novo consumidor que está mais aberto a novas tecnologias com consciência social e ambiental.

Também dentro do Fórum, o superintendente do Sebrae/RS, André Vanoni de Godoy, falou sobre o reposicionamento da entidade diante da crise sanitária e revelou que o órgão se reinventou para continuar representando os pequenos negócios.

Neste ano, o órgão atendeu quase 125 mil empreendedores, um aumento de 44% em relação ao mesmo período de 2019. Uma pesquisa realizada pela entidade apontou que, embora 72% dos entrevistados diziam-se afetados negativamente pela situação em maio, 46% dos empreendedores pretendiam manter seus negócios, outros 24% iriam reposicioná-los e 6% pretendiam expandir as atividades. Para Godoy, isso mostra uma expectativa melhor, iniciada a partir do final do mês. "Muito provavelmente por conta da flexibilização que vem ocorrendo na reabertura dos estabelecimentos e até na própria circulação das pessoas", disse.

A ação mais adotada no enfrentamento à crise foi renegociar prazos e pagamentos (40%), seguida de redeução de horário de funcionamento (28%), férias (27%), renegociação de financiamento (25%) e ampliação de venda online (24%), entre outras.

Obter financiamento é um dos principais problemas para os empreendedores. Apenas 24% conseguiram, enquanto 37% não obtiveram sucesso e 39% seguem em análise. Os principais motivos para a negativa estão relacionados à falta de garantias, à taxa de juros muito altas e a problemas cadastrais. "Com base nos dados levantados, criamos o programa de recuperação empresarial, que visou atacar os três principais problemas apresentados: a gestão do fluxo de caixa, gestão de custos e modelagem de negócios. Buscamos oferecer soluções efetivas que vão desde a capacitação dos empreendedores para saber gerenciar o seu caixa até estruturação dos negócios para que eles pudessem fazer a transação do modelo presencial para o on-line. Isso vai desde ensinar o empreendedor a tirar foto do seu produto e publicar na internet a estruturar sites das pequenas empresas", destacou Godoy, que também viu o portal do Sebrae para tratar da crise no RS ser acessado por mais de 1,4 milhão de acessos.