“Você não precisa saber programar, precisa saber qual problema resolver”
No Café no Hub, promovido pelo Inova Bento, empresários de Bento Gonçalves debateram sobre a aplicação da Inteligência Artificial nos negócios
Apenas 4% da população mundial sabe, de fato, criar algo relevante com o uso de uma Inteligência Artificial. O dado foi apresentado no Café no Hub, promovido pelo Inova Bento na manhã de 15 de julho sob o tema “O que ninguém te conta sobre Inteligência Artificial na prática”. Os trabalhos foram conduzidos por Vicente Tomasi, presidente do Inova Bento e especialista no tema. “Existe uma distância enorme entre usar IA e saber usá-la bem, e os empresários precisam entender que essa pauta está redesenhando o mundo dos negócios”, disse.
Para explicar por que tão poucas pessoas realmente dominam essas ferramentas, Tomasi organizou o universo da IA em três categorias: as generativas, que já fazem parte do cotidiano de quem escreve um e-mail ou pede uma imagem; as de processo, cada vez mais presentes nas rotinas internas das empresas; e as de decisão, voltadas a quem precisa enxergar cenários e definir caminhos na gestão. Entender essa diferença, defendeu, é o primeiro passo para sair do uso raso e chegar a resultados que realmente movem um negócio.
O recado mais direto foi sobre o papel de quem está do outro lado da tela. “As pessoas às vezes acham que as Inteligências Artificiais vieram para descartar a humana, quando na verdade a IA é inteligente, mas precisa de uma inteligência humana por trás para sua melhor operação. É importante também a validação de uma pessoa que tenha conhecimento humano sobre o assunto”, afirmou Tomasi. Para trabalhos repetitivos e para estudos, argumentou, dominar o funcionamento e as possibilidades de uma IA deixou de ser diferencial para se tornar caminho sem volta.
A prova prática dessa ideia estava na própria sala. O encontro trouxe a apresentação do Moura One, um ecossistema de programas digitais voltado à operação de eventos, criado em apenas quatro semanas por Gabriel Pertile Casagrande, que não é programador, mas atua há dez anos no mercado de eventos e sabia exatamente qual dor precisava resolver. “Você não precisa saber programar para começar, precisa saber qual problema resolver”, resumiu Gabriel, numa frase que virou quase um lema para quem estava na plateia.
É esse tipo de conexão, entre quem entende de tecnologia e quem entende do problema, que o Inova Bento busca provocar. O programa tem como missão potencializar startups, empresas e novos negócios a partir de conexões estratégicas dentro do ecossistema regional, e o Café no Hub segue como uma de suas principais vitrines: um espaço para colocar em pauta os temas que, de fato, estão moldando o futuro dos negócios.
